SÍNOPSE

Passados 35 anos a Charanguinha regressa àquele que foi o seu primeiro destino, o Hawai, desta vez para mais do que uma festa, desta vez para o conhecer melhor, em especial a sua cultura original. A Charanguinha em 2020 revisita um território para dar a conhecer o seu povo, as suas crenças e as suas lendas, aventura-se na tentativa de dar nova vida às histórias mais fantásticas da cultura, mitologia e espiritualidade havaiana.

‘Hawaiki’ é um termo que remete para a origem do Hawai, do seu povo e da sua cultura e é escolhido para título deste enredo também pelo facto deste tema ser uma referência à origem da própria Charanguinha.

Migrações de outrora por esse Pacífico afora fizeram nascer um novo povo, o povo do Hawai. Este povo que é o protagonista desta história é aqui feito mensageiro de uma ideia de equilíbrio e respeito para com o meio em que vivemos.

Este povo é exemplo do convívio saudável do Homem com a Terra, uma postura promovida por toda a sua cultura e mitologia, pois para a crença do hawaiano, tudo o que nos rodeia é sagrado e uma dádiva divina. Todos os recursos são representados por um deus ou por uma figura mitológica, e o respeito pelo outro e pela Natureza é tornado principio através dos seus rituais e alimentado pela narrativa das suas lendas.

Nesta história somos recebidos por Aumakuas, os guias espirituais da família, que outrora foram sábias matriarcas e se transformaram em animais protectores. Essas matriarcas que ensinaram às gerações mais novas como dançar o Hula, a dança típica deste povo, que é por si um ritual religioso, uma forma de comunicar com os deuses.

A arte da pesca, de velejar e da canoagem são também transmitidas e passadas de geração em geração, como o cultivo do côco. Um povo que se organiza para viver com apenas o que a natureza dá de forma directa. As próprias vestes são feitas de fibras naturais e de folhas da opulenta vegetação típica nas ilhas do Hawai.

Aloha! A palavra que usam para saudar e receber, mas que tem um significado maior. Aloha é descrito como espírito e representa um modo de vida, em que a gratidão e a aceitação perante a vida são um mantra. Colares de Flores são entregues a quem visita e é o símbolo máximo da sua grande hospitalidade.

Na sua organização tribal os sacerdotes eram chamados de Kahunas, os conselheiros da comunidade. Mediavam as relações entre o povo e os deuses, trabalhando na procura constante do equilíbrio entre a Terra e o Homem.

Mitologia Hawaiana

Lono, Ku, Kanaloa e Kane, é assim que se chamam os quatro deuses principais, aqueles que existiam antes da criação deste mundo. Representados em tikis, as típicas estátuas de madeira hawaianas.

Lono é a deusa da fertilidade, desceu à terra num arco íris e faz-se apresentar ao seu povo através da chuva e dos alimentos que crescem da terra, trazendo assim a paz.

Ku é o deus da guerra, da força e da coragem.

Kanaloa é o deus dos oceanos, é chamado pelos homens no momento da construção das canoas e dos instrumentos de pesca, como no momento da navegação.

Kane é o deus maior, o deus da criação. É o deus associado ao nascer de cada dia, do sol e do céu.

Outros deuses e personagens que povoam a mitologia hawaiana também aparecem nesta história como a deusa Pele – a deusa da lava e dos vulcões, Hia – a deusa da Lua, e o espírito da água chamado de Namaka.

Além dos deuses contam-se histórias dos Kupua, os semi-deuses como Maui. Maui, um personagem trapaceiro e brincalhão, pregava partidas aos seus irmãos, também eles semi-deuses filhos de Hina. Maui transporta consigo uma grande anzol de pesca.

A cultura deste povo é imensamente rica em personagens, mitos e lendas. Este povo conta sobre as relações e intrigas entre os seus deuses como se histórias dos seus antepassados se tratassem. A proximidade dos hawaianos com os deuses é tão grande quanto a que têm com a sua terra e por isso mesmo é que eles acreditam que as ilhas onde habitam são os corpos adormecidos dessas amadas divindades.

Guia de pronúncia:

Aumakuas – Aumakúas

Hula – Húla

Aloha – Alô – há

Kahunas – Kahúnas

Lono – Lô-nô

Ku – Kú

Kanaloa -Kâ – nâ -lôa

Kane – Kaine

Pele – Pé-lê

Hia – Hía

Namaka – Namáka

Kupua – Kupúa

Maui – Máui

Hina – Hína

Samba-Enredo 2020

Quem é que faz o povo cantar

Quem faz nossa gente sambar

É a Charanguinha, sente o nosso clima

Levanta sacode a poeira e dá volta por cima

 

Voltei para esse lugar

Para revisitar meu primeiro destino

Hawaiki terra sagrada, a origem proclamada

De uma gente decorrente do divino 

 

No mar navegou

Espalhando o amor, crente na mitologia

Na dança da Hula, a raia encarnou, o espírito guia

Pescou, plantou, bebeu do fruto da palma

Água de coco que lava a nossa alma

 

Aloha, colares de flores, profusão de cores

Num bailado magistral 

Giram baianas, meninas mulheres

Supremos poderes do sistema social

 

Brilhou, nas gotas da chuva, um raio de Luz

Trazendo a fertilidade, o arco-íris que tanto seduz

Da explosão ardente de um vulcão, nasceu

Essa maravilha tropical

Que louva os ancestrais, em forma de oração

Que hoje faço nesse carnaval

 

Oh deuses, num sono profundo, unindo esse mundo

Nos dão protecção

Na batida do tambor, herói ou vilão, que é um irmão

Ecoa no Pacífico Oceano

O canto de fé de todo o Havaiano


Compositor
Alexandre Lopes
(Xando)